Por Yannick Athia: arquitetura e a identidade memorável de São Paulo

Sempre costumo dizer que São Paulo não é uma cidade para amadores, e a nossa arquitetura é o reflexo mais puro disso. Quando você olha pela janela, é abraçado por um oceano de concreto, uma paleta de cinzas e blocos estruturais que, para muitos, pode parecer fria, mas que esconde uma poesia brutal e fascinante. A beleza de São Paulo não é dada de bandeja; ela é descoberta. É no meio desse caos urbano, desse contraste infinito entre os palacetes antigos que resistem e os gigantescos espigões de vidro, que a nossa profissão ganha um propósito muito claro. O refúgio depois do caos Nos últimos anos, tenho refletido muito sobre como o ritmo implacável do paulistano tem moldado o que nós consideramos “morar bem”. A gente passa o dia lidando com o trânsito, a poluição sonora e a escala monumental da cidade. Por isso, percebo que, quando o cliente finalmente cruza a porta de casa, ele não quer mais a cidade. Ele busca um refúgio, uma pausa, um oásis de descompressão. Biofilia como premissa do projeto É exatamente aí que entra a necessidade visceral de adotar a biofilia e o uso de materiais naturais como premissas absolutas de projeto. Não estamos falando apenas de pendurar algumas samambaias na varanda. Falo de desenhar espaços que reconectem o morador com o tempo natural das coisas. Materiais naturais em meio ao concreto Em uma cidade onde tudo é asfalto e tela de celular, trazer a textura de uma madeira maciça, a imperfeição de uma pedra natural e o toque de um linho cru para dentro de casa é quase uma necessidade de saúde mental. É uma resposta direta à nossa rotina: lá fora, a metrópole não para; do lado de dentro, o tempo precisa desacelerar. Projetos que traduzem essa intenção Essa busca por equilíbrio – entre a brutalidade da metrópole e a suavidade da natureza – é o que tem guiado o meu traço. Posso ilustrar isso com meus projetos recentes do escritório, que traduzem muito bem essa intenção: Brechas de afeto no concreto No fim das contas, projetar em São Paulo é exatamente isso: encontrar as brechas de afeto no meio do concreto. E entender que entre ele existe vida e movimento. Autor: Yannick Athia @yannickathia.arquiteto https://yannickathia.com.br​